LIGEIRASSSSSS
Fiquei sabendo que o Orkut completou cinco anos. ''Já?'', surpreendeu-se um colega de redação. Pois é... O site não só resistiu ao boom inicial como também desempenhou um papel fundamental na inclusão digital de cerca de 23 milhões de brasileiros.
Como se sabe, estamos no país com mais orkuteiros per capita - bem à frente da Índia, o segundo lugar. Lá e cá, o sistema é um sucesso pela mesma razão: integrou socialmente um país enorme, diversificado culturalmente e em franco desenvolvimento.
Mas ainda tem quem ache o Orkut uma futilidade, perda de tempo. Eu só me pergunto o que esse pessoal faz de tão edificante enquanto os outros estão trocando scraps. Lendo Sartre? Vendos todos os filmes do Bergman? Estudando física nuclear? Discutindo saídas para a crise econômica mundial?
A verdade é que o site caiu no gosto do povão, e a menina de classe média não quer ser adicionada pela filha da empregada. Porque o brasileiro se reconhece no Orkut, para o bem e para o mal. É gente fazendo farofagem na praia, cometendo barbaridades contra a língua pátria, marcando brigas nos fóruns, jogando um caô para a vizinha, tirando sarro de tudo e de todos...
Seguindo a lógica antropofágica oswaldiana, transformamos um mero portal de relacionamento numa espécie de lista telefônica ilustrada do país. Mais uma prova de que o Brasil pode ser tudo, menos chato.





