Um amigo me disse um negócio interessante. ‘’O lado bom de fazer 30 anos é descobrir que você não é um gênio. Daqui para frente, só trabalhando muito para conseguir as coisas’’. Soa triste para você? Para mim é um alívio.
Cá entre nós, todos crescemos com a crença (ou ilusão) de que vamos nos destacar no mundo profissional, ganhar dinheiro, ter fama, etc. Acreditamos, nem que seja lá no íntimo, fazer parte daquele 0,01% da população mundial destinado a entrar para a história. É só uma questão de tempo até que alguém reconheça e revele o nosso grande talento.
Mas esse dia não chega. O que fazer? Há quem morra sem aceitar a realidade. E o pior: culpe a raça humana por sua condição de mero figurante no filme da existência. São os gênios incompreendidos, sempre prontos para expressar sua indignação nos bares, blogs, cursos noturnos, faculdades de jornalismo...
Por outro lado, quem se percebe como um simples e insignificante mortal tira um peso das costas. Segue livre para ser quem bem entender, vacinado contra as frustrações. Para isso, é importante se conhecer, saber jogar com seus potenciais e limitações.
Limitações ‘’numas’’, como diria o filósofo. Porque a vida é uma invenção. Se a sua está um porre, é porque falta criatividade. E nem precisa ser uma vida genial, apenas divertida.
Quanto ao reconhecimento, bem... Nestes tempos warholianos, há mesmo um certa ansiedade para aparecer na foto. Mas são tantos meios de expressão, e tanta gente acompanhando tudo, que é quase impossível algo realmente relevante passar desapercebido. Sendo assim, para que esquentar a cabeça?

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