Dia desses assisti a uma cena de gelar os ossos. Passeando com os cães na calçada da Affonso Camargo, perto do Jardim Botânico, via de relance o movimento dos ônibus biarticulados, indo e vindo, e o pessoal na ciclovia. Início da noite, horário de movimento, nada de novo.
A diferença daquela noite foi que três policiais, todos a cavalo, vinham pela via do ônibus, um ao lado do outro, ocupando mais de meia pista. Estavam próximos do Hospital Cajuru. Durante alguns minutos, tudo bem.
De repente, aponta um ônibus de um lado. E, do outro, também. Quem disse que os policiais saíram da canaleta do expresso? E havia espaço, tanto na calçada como na rua paralela. O biarticulado se aproximando, atrás dos policiais, e o outro em alta velocidade no sentido contrário.
Nervosos, os ''atletas'' de plantão na ciclovia se entreolhavam. Nenhum sinal de que os policiais sairiam da canaleta. Pois o motorista do ônibus que vinha pela mesma pista onde estavam os policiais teve que desviar, invadindo a pista contrária e quase atropelando dois ciclistas - que obviamente não deveriam estar na via reservada aos ônibus.
Os garotos passaram rápido para a estreita calçada que separa a canaleta da rua. Um deles quase ''abraçou'' uma palmeirinha. O ônibus voltou a sua pista original segundos antes de o outro, que vinha em sentido contrário e reduziu a velocidade, acertá-lo. Um ''minhocão'' daquele tamanho tendo que desviar num espaço tão apertado... Cena de filme.
E os policiais continuaram como se nada tivesse acontecido. Nem sei se perceberam a proeza que os motoristas dos ônibus tiveram que fazer para evitar um acidente, que com certeza deixaria o pronto-socorro do Cajuru ainda mais movimentado.
Concordo que é exagero, mas desde então não passeio mais ao lado de ruas onde há canaleta de expresso. Mudei para os parques. O irônico é que quase fui atropelada por uma criança numa versão moderna de triciclo, em pleno domingo de sol no Parque Barigui. Fugir pra onde? É o trânsito caótico de Curitiba...

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