LIGEIRAS
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 31 de julho de 2008
Omar Godoy<br>Equipe da Folha 
Agora é toda semana. Na roda viva do espetáculo jornalístico, já estamos nos acostumando a receber notícias sobre a violência em família. A mais recente, pelo menos até a conclusão deste texto, dá conta do casal que caiu de um prédio em Curitiba. Suspeita-se de homicídio seguido por suicídio.
Não que isso seja novidade. Caim matou Abel e desde então não são poucas as histórias de fraticídios, matricídios, parricídios, filicídios, uxoricídios e mariticídios (os dois últimos são os crimes em que a mulher mata o marido e vice-versa).
O que mudou nos últimos tempos foi o cenário, o ambiente sociocultural dos assassinatos cometidos por familiares. Quando acontecia na periferia, virava manchete sangrenta nos jornais popularescos. Mas, de repente, é como se descobríssemos que a classe média dita esclarecida também mata seus parentes. E isso ganha destaque até no Fantástico.
A violência é inerente ao ser humano? Acredito que sim, e fico com Freud e seu conceito de pulsão de morte - definindo vulgarmente, uma espécie de instinto de agressão compensatório do desamparo, angústia, repressão, frustação, desprazer. Como se não bastasse, ainda há o estresse do cotidiano, a competitividade no mercado de trabalho, a dificuldade em se adaptar aos novos modelos de família...
Não deve ser coincidência o fato de que as últimas tragédias noticiadas envolveram crianças e adultos atirados de grandes alturas. Em comum, há o desejo pelo vazio, um retorno à imaterialidade - e, portanto, o fim do sofrimento.
Longe de mim defender assassinos. Mas é uma pena constatar que muitos desses crimes brutais são, no fundo, pedidos desesperados de socorro.


