Grande filme, esse Batman - O Cavaleiro das Trevas. Finalmente fizeram uma adaptação de quadrinhos sem concessões ao público infantil. Mas não vou comentar o que todo mundo já comentou. Quero falar apenas sobre um aspecto específico do Coringa (o personagem, não o genial ator Heath Ledger).
Desta vez, o vilão é retratado como terrorista. Seus planos estrambólicos têm apenas uma finalidade: criar um estado de caos em Gothan City. No fundo, ele não quer roubar ou matar - e, sim, chamar a atenção.
Tudo a ver com as táticas do terrorismo, a ação militar pós-moderna e midiática por natureza. Na guerra convencional, por exemplo, toma-se um prédio para mostrar força e obter poder. Para a Al-Qaeda, o ETA e grupos afins, o método é outro: explodir o edifício, aproveitando-se da comunicação massificada para acuar o maior número possível de pessoas mundo afora.
A diferença é que os terroristas, bem ou mal, defendem uma causa ideológica. O Coringa, não. Sua bandeira é o caos pelo caos, a loucura como uma ameaça permanente contra a sociedade.
Do jeito que a humanidade caminha (para alguns, rumo ao absurdo), não será surpresa se surgirem hordas de coringas por aí, deixando no chinelo tudo o que conhecemos em matéria de terror. Pelo menos no filme de Christopher Nolan, o psicopata maquiado é a fronteira final, o vilão definitivo.

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