LIGEIRAS
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 28 de julho de 2008
Ellen Taborda<br>Equipe da Folha 
Eu juro que já fui mais polida e paciente, mas tudo tem limite. Por que as pessoas sempre insistem em empurrar goela abaixo algo que você não deseja de maneira alguma?
É batata: é só colocar os pés em grandes lojas de departamento que logo vem um funcionário todo simpático. ''Bom dia, a senhora já tem o nosso cartão?'' ''Não, não tenho'', respondo tentando manter uma espécie de sorriso. ''Mas veja, senhora, com o nosso cartão, a conta pode ser parcelada em até dez vezes e ainda tem desconto na primeira compra'', insiste a simpática criatura. Depois de vários dribles, só me resta a cartada final: ''olhe, eu realmente não tenho interesse. E não é por falta de me oferecerem, coisa que sempre acontece quando venho aqui''.
O problema nessas lojas se repete na saída. Sempre vem alguém querendo que eu aperte botão para avaliar o atendimento. E eu lá quero saber de botão! Adotei uma estratégia quase infalível. Espero que algum grupo de pessoas se dirija à porta e vou junto, me escondendo atrás dos mais altos e gordinhos.
Mas insistência de verdade eu só conheci em Salvador. Todos queriam me vender de tudo. Eu acho que lá tem mais vendedor do que pai-de-santo. Não se passa uma quadra impunemente.
Estava eu um dia tentando almoçar tranquilamente num restaurante ao ar livre no Pelourinho, quando um senhor passa com quadros de todos os tamanhos e cores. ''Compre um, senhora. Está tão baratinho.'' ''Obrigada, mas não tenho interesse'', respondo. ''Somente 60 reais'', insiste. Com muito custo, consigo me livrar do homem. Dez minutos depois, ele volta, quadros a postos: ''pra senhora, eu faço por 40 reais''. Recuso, pela enésima vez. ''E por 35?'' Aí já é demais para mim. ''Olhe, meu senhor. Nem que o senhor me venda o seu quadro por 5 reais, eu realmente não compraria.'' A tática funciona e o homem vai embora de vez.
Então, um aviso para os insistentes de plantão: ninguém me vence pelo cansaço!


