A pressa atropelou as boas maneiras. Mais uma vez. O último flagra que registrei foi ontem, na fila do banco, pouco antes do meio-dia. O caixa reservado para atendimento preferencial a idosos tinha apenas duas pessoas na fila, enquanto os demais - apenas outros dois funcionários - atenderiam cerca de 20 pessoas perfiladas numa fila que já tinha virado um caracol no meio da agência.
Todos pareciam conformados com a demora no atendimento e a longa espera. Lá pelas tantas, uma mulher que não aparentava mais de 40, 45 anos, saiu da fila principal e foi aguardar atrás do segundo idoso no caixa preferencial. Cabelos pretos - e não pareciam pintados. Não vi nenhum branquinho perdido lá no meio. Percebi que todos olhavam para a mulher, desconfiados.
Uma moça não se conteve. Disfarçadamente chamou um funcionário e reclamou. Disse que aquela mulher não era idosa e não poderia, portanto, estar no atendimento preferencial. O funcionário, meio tímido, respondeu: ''E se ela estiver grávida?''
Impasse. O pessoal da fila, que ouvia a conversa, achava que a tal mulher só queria ganhar tempo. No fim das contas, mais um funcionário veio atender a fila principal, que começou a andar mais rápido. Ficou por isso mesmo.
O caso me fez lembrar de uma amiga grávida que, ainda no início da gestação, ficou sem jeito e não quis procurar o caixa preferencial. ''A barriga ainda não aparece, vão achar que estou me aproveitando. Não vou sair por aí mostrando o exame de gravidez no banco'', dizia, rindo.
De que adiantam regras e leis se falta o básico, a educação? Enquanto uns se sentem confortáveis passando a perna nos demais, outros ainda se sentem desconfortáveis em exigir seus direitos. Ainda temos muito o que avançar, e pelo visto a espera vai ser longa...

mockup