Não consigo apreciar o barulho emitido pelo sistema de rádio dos taxistas. Minha vontade é pedir para que desliguem o aparelho, mas isso é impossível. Eles se comunicam durante todo o tempo com a central. Os minutos que duram o trajeto são perturbados pelo som de muita gente falando quase ao mesmo tempo.
Não entendo quase nada do que dizem. Os inúmeros códigos não fazem sentido algum para os leigos. Porém, para resolver este problema, perguntei ao motorista do último táxi que peguei para explicar tudo o que falam. Para minha alegria, o educado senhor falou com riqueza de detalhes os significados das siglas.
Quase todas começam com a letra Q. Dando alguns exemplos, QRV quer dizer que o carro está livre para pegar algum cliente. Quando o passageiro é encontrado depois de muita dificuldade, o taxista comunica que achou e está tudo certo com o código QSL. Ele também pode falar que o passageiro já embarcou dizendo QRL. E se não sabe onde fica alguma rua e outro colega ajuda, o obrigado sai ao som de QKS.
Caso a esposa do taxista solicite carona, ele avisa a central que está indisponível pois vai buscar a cristal. Se é marido a sigla usada é valete. E não acaba por aqui. Também existem os códigos em números, que totalizam 11. O número 1 indica que o destino é longe e não será cobrado retorno. Já os códigos 2 e 3 avisam que o retorno custará 20% ou 30% a mais. Se a rádio pede um carro com código 4, o taxista fará a corrida fiado para receber outro dia. O 5 indica uma corrida para idoso, o 6 levará um animal e o 7 identifica um carro movido à gás com o porta-malas pequeno. O código 8 é usado para transporte de deficiente físico, o 9 pede um carro com troco para R$ 50 e o 10 é para buscar um deficiente visual. Por último, o 11 explica que será uma corrida tabelada, com preço fixo.
Mas se o taxista recebe cantada de uma passageira, não tem código nenhum. ''Daí a gente desliga o rádio'', brinca o motorista.

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