Meus pais nunca gostaram de novela. Quando acabava o Jornal Nacional, a tevê era desligada e a família se reunia em torno de um jogo de tabuleiro. O efeito disso na minha vida? Nenhum. A não ser o fato de que hoje detesto jogar - e me interesso por algumas novelas.
A do momento é Pantanal, que o SBT reprisa, com êxito, pela enésima vez. Da direção ao elenco (passando pela ambientação, a fotografia diferenciada e o roteiro em si), tudo funciona na telelágrimas da extinta Rede Manchete. Mas o que mais chama a atenção, hoje, é que se trata de uma novela adulta e crua, como não se vê mais por aí.
No fim dos anos 80, as crianças ainda dormiam cedo e os pais tinham tempo para curtir os prazeres da maturidade - entre eles, assistir a programas realmente destinados à sua faixa etária. E Pantanal, com suas polêmicas cenas de banho de rio, esbanja uma sensualidade genuína, que nada tem a ver com o mero desfile de corpos bombados da Globo.
Esse artificialismo se estende para todos os outros campos da teledramaturgia global, cujo modelo tem sido clonado pela Record. A emissora dos bispos acredita que, para ganhar da ''toda poderosa'', deve copiá-la.
Pantanal, ao contrário, apostou no diferente e emplacou. Foi o único folhetim de outro canal a bater a Globo no horário nobre. Seu sucesso de audiência em 2008 é a prova de que o público anda cansado das novelas limpinhas e desinfetadas.

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