LIGEIRAS
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 02 de julho de 2008
Diogo Cavazotti<br>Equipe da Folha 
Ver crianças que vivem nas ruas pedindo esmola para motoristas com carros importados já não é novidade. As diferenças das classes sociais é gritante. Na vida de um jornalista, não é difícil se deparar com extremos ainda maiores.
Durante a cobertura de algumas matérias, já visitei regiões consideradas perigosas em bairros distantes. Favelas com crianças descalças, roupas velhas e pais desempregados são frequentemente entrevistados para reportagens. Geralmente estas fontes vivem em lugares sem condições mínimas de higiene e saneamento básico.
Do outro lado, festas luxuosas com mulheres de casacos de pele, sapatos de marcas famosas e cabelos impecáveis também fazem parte de algumas pautas. São espaços requintados, equipados com arranjos de flores e mobiliário caro que, no total, chegam a custar o mesmo que um apartamento de luxo.
É difícil encarar esta realidade comum nas grandes cidades. Também é difícil encarar que este mercado de luxo emprega muita gente em todo o mundo. O que seriam das madames sem as cozinheiras? O que seriam dos empresários sem os motoristas? O que seriam dos países de primeiro mundo se não fossem os imigrantes que trabalham como babás, empregadas e pedreiros? O pobre precisa do rico e o rico precisa do pobre. E os jornalistas se preocupam com os dois lados, pois existe notícia em todo lugar.


