LIGEIRAS
Pôncio Pilatus que estava certo: nada melhor que ''lavar as mãos'' para dormir tranquilo. Essa afirmação veio à minha cabeça quando entrei em um supermercado do tipo ''classe A'' da cidade e não encontrei vaga no estacionamento. A lotação é normal: anormal era a quantidade de gente jovem estacionada em vaga para idosos ou de gente em perfeito estado físico com os carros deles parados sem a menor cerimônia em locais para portadores de necessidades especiais. Indignada, chamei em um canto um funcionário do estabelecimento e perguntei sobre aquilo. A resposta foi taxativa: ''O supermercado faz a parte dele, dona, temos responsabilidade social, tem placa para todo lado, vai da consciência de cada um''. Bonito isso! Este lance de responsabilidade social soa como... lavar as mãos!
O fato do supermercado conceder espaço para clientes diferenciados não o exime de fiscalizar o direito que ele está dando!
Como disse o moço do estacionamento, vai de cada um e o problema é que cada um sempre quer saber do seu cada um. Parece o Brasil! Lição de cidadania não se aprende em livros, e sim na prática de humanidade, de respeito ao próximo e ao lugar onde se vive.
Cidadania é uma palavra muito bonita para campanha política ou insuflar multidões; mas cidadania é na verdade não jogar o papel na rua, dar seta no trânsito, não ser ''espertinho'' ou simplesmente dar mais uma volta no estacionamento e não usurpar o direito alheio. Eu sempre penso que se eu não morrer antes, um dia serei a velhinha da vaga, a da fila ou do banco do ônibus. E você?





