Uma cartase na história do mundo (a fala não é minha), o ano de 68 do século 20 é marcado por suas revoluções: políticas, culturais, sexuais, etc. e bla bla blá. Parece que ainda hoje vejo (mentira) os jovens discutindo Marcuse na saída do cinema, filme do Godard - ''Acossado'' ainda é uma grande fita, apesar de ser de quase dez anos antes; a ''A Chinesa'', o cult do ano que não terminou, eu não vi.
Este (aquele) ano de 68, para mim, é o compacto duplo do Caetano. Um ao vivo do Caê acompanhado de Os Mutantes, quatro faixas: ''A voz do morto'', ''Baby'', ''Saudosismo'' e a grande ''Marcianita'' - ''... sou logrado, e em matéria de amor eu sou sempre passado pra trás/(...) mas no ano setenta felizes seremos os dois'', diz trechos da canção. Grande canção. Os Mutantes são demais, berra Velô. É nesse disco que ele berra assim? Não lembro.
Daí assim, quarenta (40) anos depois. Ando pelas ruas vendo os jovens carregando revoluções no peito, nos cabelos coloridos, nas franjas emos, indies, from UK, com suas atitudes importadas e o sentimento de que a nouvelle vague, a new age, a new rave não são meros anacronismos; que ainda faz sentido aquele bla bla bla todo da geração perdida de 30 do século 20. Não levam faixas. Vejo mais jovens com roupas enormes de cor azul-ou-rosa-bebê; são cybermanos munidos de suas câmeras fotográficas digitais e suas atitudes suburbanas, como se toda decisão fosse ser eterna - eternizada pelas fotos que vão para internet. Não gritam palavras de ordem: Esses jovens são demais.
A urgência não é a bandeira deles, ainda que a minha seja. Tenho pouca eternidade no tempo, muita finitude no espaço e no fringir dos ovos de ouro da galinha - pronto! - acabou tudo, inclusive os ideais revolucionários de 68. Mas eram apenas jovens, coitados. Ainda que a urgência seja para mim (uma revolução a cada maio de ano qualquer - este inclusive; Caê Velô é demais), para eles é simplesmente a vida... moderna.
Os jovens de hoje são uma onda, mora no filosofia? Tão revolucionários quanto esse texto. Mora no cinismo? Então, essa é a característica da minha geração e de suas pequenas revoluções diárias. Sei que, nesse maio de 08 do século 21, não custa nada tentar.
Só custa a vida.

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