Dizem que um raio nunca cai duas vezes no mesmo lugar. Mas eu sou a prova viva de que toda máxima tem sua exceção. Não, caro leitor, não sou uma aberração a ser estudada pela medicina. O raio em questão não foi uma descarga elétrica e sim um pombo com necessidades, digamos assim, fisiológicas.
Na época eu estava na faculdade, que ficava na sede da Universidade Federal do Paraná na praça Santos Andrade, bem no centro. Quem já passou pelo local sabe que a população de aves cresce exponencialmente. E o topo das escadarias do prédio histórico é praticamente um abrigo para pombos desamparados.
E bem nesse local insalubre estava eu, toda distraída, conversando com colegas do curso, quando algo foi projetado bem no meio da minha cabeça. A mira foi perfeita! Até então eu nunca tinha lavado tão bem os meus cabelos como quando cheguei em casa.
Claro que depois, reconfortada pela máxima do raio, não deixei de participar das rodinhas de conversa no topo da escadaria. Cerca de um mês mais tarde, qual não foi a minha surpresa ao ser atingida no meio da cabeça pela segunda vez?
Cheguei à conclusão de que nada na vida é tão único que não possa voltar a ocorrer. Lógico que o pombo que mirou a minha cabeça na segunda vez não era o mesmo que inaugurou o alvo. Mas, mesmo com personagens distintos, o bom é saber que momentos alegres e quase mágicos correm o risco de se repetir.

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