LIGEIRAS
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 14 de maio de 2008
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A Capital paranaense é uma das mais evoluídas do País, quando se trata de sistema de coleta seletiva dos resíduos domésticos. Chegou a ganhar o título de Capital Ecológica, quando o programa do ''Lixo que não é Lixo'' foi lançado. Há quem não concorde com a referência, inclusive, eu, apesar de reconhecer alguns méritos nessa área. Mas, a questão aqui não é criticar as políticas públicas e, sim, a falta de bom senso dos cidadãos que, algumas vezes, beira à ignorância.
No prédio em que moro, há nada mais nada menos que 112 famílias divindo o mesmo espaço. Considerando a média de 1,2 kg de resíduos gerados por pessoa ao dia e levando em conta uma média de três moradores por apartamento, dá para imaginar o tamanho da lambança no local destinado ao depósito de lixo. São cerca de 400 kg de tudo que não serve armazenados em um espaço de cinco metros quadrados. Quase meia tonelada de ''caca'' em um único prédio! Você já parou para fazer essa conta?
Pois bem. A síndica até teve a boa vontade de colocar tambores de cores diferentes para os resíduos orgânicos e para os recicláveis. Há plaquinhas de um lado e de outro do depósito, informando o lugar de cada um: ''Somente lixo orgânico'' e ''Somente lixo reciclável''. Parece simples. Mas, não há uma só vez em que encontro os resíduos nos seus devidos lugares. A pessoa teve o trabalho de fazer a separação do lixo, mas na hora de colocar sua sacolinha no tambor, ignora o alerta. Não é burrice?
Fico revoltada. Já até pensei em me candidatar à síndica e adotar uma postura mais rigorosa em relação ao depósito de lixo. E mais: tornar a separação dos resíduos ainda mais seletiva - plástico, papel, alumínio... Cada um em seu latão. Não obedeceu: multa!
Outro ponto a considerar são as muitas dúvidas sobre o que pode, de fato, ser reciclado. Particularmente, acho que a indústria deveria considerar essa questão na hora de desenvolver as embalagens. Mas, enquanto isso não acontece... Algum ambientalista aí mora no Belmont e apoiaria minha candidatura a síndica?


