O poder do boato ainda será objeto de estudo das mais variadas teses na área da comunicação. Essa prática funciona como uma lente de aumento irregular, pois ao mesmo momento em que amplia a audiência de um fato, também distorce as informações do mesmo. É como a velha brincadeira do ''telefone sem fio'', na qual uma mensagem é passada a uma pessoa, depois a outra e mais outra, até que chega ao final da fila completamente diferente da original. No meio do caminho, cada um interpreta a informação como bem entende e repassa sua própria versão.
Nesta semana tivemos a oportunidade de verificar essa ação em Curitiba, quando um avião Boeing fez um rasante pelo Centro causando pânico na pacata população da Capital. O fato em si não tinha nada de extraordinário, mas acabou vitaminado por uma potente e informal rede de comunicação boca-a-boca que transformou a situação em uma quase tragédia, da qual saimos com a sensação de que escapamos com vida por sorte.
Em um primeiro momento foram divulgadas as informações de que teria sido avistada uma aeronave voando baixo e produzindo fumaça. Logo surgiram novas versões que garantiam que algumas janelas do Centro teriam sido estilhaçadas com o deslocamento de ar e que além de fumaça, haveria chamas saindo das turbinas. A essa história somou-se outra informação: tratava-se de um avião da Força Aérea Brasileira (FAB). Logo a aeronave transformou-se em um avião da Presidência da República. A terceira versão da história dava conta que o próprio Lula teria sido obrigado a fazer uma aterrissagem forçada no Parque Barigui.
Nesse momento, a história já está tão carregada de fantasia, que a realidade perdeu o controle sobre ela. Não adianta mais argumentar que se tratava apenas de um avião com turbinas velhas que havia pousado em segurança. O assunto já havia se desdobrado em diversos temas, que ganharam mais interesse do que a insossa realidade.

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