LIGEIRAS
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 13 de março de 2008
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Você já teve a sensação de presenciar, a qualquer momento, o estopim de uma guerra civil? Esse é um sentimento que invarialmente me acompanha quando vou às compras. Especialmente, quando é dia de ''feirão'' no supermercado que costumo frequentar. A estratégia das grandes redes, sem dúvida, é muito inteligente. Batata, banana e cenoura a 68 centavos o quilo. ''É muito barato!'', pensa a maioria dos consumidores. E como a maioria não vai ao mercado para comprar apenas um cacho de bananas, os centavos a mais pagos em outros produtos são muito rentáveis para o caixa do estabelecimento.
Creio que os marketeiros - ou seja lá quem defina que dia qual sessão estará em oferta - não imaginam o estresse que a disputa por aquele mamão que restou na gôndola, mesmo amassado, possa causar. Preste atenção à próxima vez que for ao mercado. É impressionante o clima de animosidade que impera entre os consumidores afoitos, que estão entre a pilha de cebolas argentinas e a de brócolis japonês. É como se aquele espaço fosse, na verdade, uma trincheira de guerra.
Nem mesmo a funcionária do supermercado - que, naquele dia, é obrigada a ficar atrás da balança, olhando a interminável fila de clientes com suas preciosas aquisições -, faz questão de manter a cordialidade. Imagino que as quartas-feiras são realmente tenebrosas para ela. Dia em que ela preferia não sair da cama. Deve acordar sempre de mau-humor ao lembrar que o dono do lugar onde trabalha ficará mais rico, enquanto ela terá que brigar o dia todo com aquele espertinho que tenta furar a fila.
Tenho que confessar: eu mesma me contagio com o espírito competitivo. Dia desses fiquei tão irritada com a falta de paciência de uma senhora que estava atrás de mim, já na fila do caixa, que sublimei o fato de ela ser uma ''senhora''. Eu cheguei a pensar em lhe dar a vez. Sua cestinha tinha poucos itens. Mas, a mulher foi tão ranzinza - queixava-se o tempo todo da demora - que preferi fazer de conta que não a vi. Na hora, eu me senti bem. Foi como lhe dar um castigo por sua intolerância. Calma. Não me avaliem mal. Ela não era tão idosa assim.


