LIGEIRAS
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 11 de março de 2008
Denise Ribeiro<br> Equipe da Folha 
''Meia lata de leite condensado são dez pontos. Um pedaço de carne do tamanho da sua palma da mão são três pontos. Se for peixe, o pedaço de três pontos é maior'', explicava a moça à colega, na mesa ao lado da minha no café. Enquanto isso, eu olhava para o meu browne (aquele bolo de chocolate concentrado) acompanhado da devida cobertura e para o meu café pensando quantos pontos será que eles valeriam na tabela da vizinha. Ah, já ia me esquecendo das nozes do recheio.
De acordo com o discurso que se desenvolvia na mesa ao lado, eu me enquadro na categoria das pessoas que, em função da pouca idade, ainda não precisam se preocupar com a contagem de calorias de tudo o que comem. Mas que não devem se alegrar por muito tempo porque também estão condenadas a, como ela, passar os próximos anos sob o regime da contabilidade gastronômica.
Fico imaginando o quanto ela deve ficar apreensiva numa churrascaria daquelas em que a cada minuto um garçom diferente vem te oferecer mais uma porção de pontos. Num aniversário de criança, então, deve ser duro ficar calculando aquela quantidade toda de brigadeiro e salgadinhos, sem falar no bolo e na bebida, geralmente refrigerante. E as balinhas de coco... ainda se faz aniversário de criança com balinhas de coco, embrulhadas em papel colorido cheio de franjinhas? Ih, temo que a idade de começar a fazer contas está próxima.
Em todo caso, até lá vou ficar torcendo pra inventarem outro método para deixar a gente com preguiça de comer só de pensar no trabalho que vai dar pra contabilizar os resultados. Afinal, matemática nunca foi o meu forte.


