LIGEIRAS
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 10 de março de 2008
Katia Michelle<br> Equipe da Folha 
Antes mesmo da moda das ecobags - aquelas sacolas ecológicas usadas com a intenção de substituir as sacolas plásticas - pegar por aqui, já se via um considerável aumento no tamanho das bolsas das mulheres. Há algumas temporadas de moda, as moças e senhoras já desfilavam pelas ruas as maxi-bolsas. O que há de tão importante para carregar é que ainda está em jogo. Vejamos, as ecobags servem - teoricamente - para serem reaproveitadas nas compras. Têm um objetivo ecológico, já que as sacolas de plástico demoram anos para se desintegrar e agridem ao meio ambiente. Já as maxi-bolsas agridem ao bom senso das mulheres. E agora, elas - incluindo eu - ainda desfilamos por aí as bolsas gigantes aliadas às charmosas ecobags.
Outro dia, descendo do carro a caminho do trabalho, descarreguei uma verdadeira bagagem de dentro do veículo. Minha bolsa com pertences pessoais e uma ecobag que costumo levar comigo para objetos que podem ser necessários: livros, uma pasta que achei que podia precisar, um guarda-chuva extra que podia emprestar para alguém, uma blusa que podia ser útil caso esfriasse (o que não é muito difícil em Curitiba), um pacote de biscoito que sobrou do lanche da minha filha, caso sentisse fome, e a própria sacola, caso eu precisasse carregar mais coisas no meio do caminho.
Estava levando - não sem uma certa dificuldade - a maxi-bolsa e a ecobag quando vi um garotão à minha frente. Passos despreocupados e nada nas mãos. ''Como ele pode não carregar, nada?'' Prestei mais atenção: o pequeno volume do bolso deveria ser a carteira. Pensei na minha própria carteira dentro da bolsa (a maxi, não a eco). Documentos, cheque, notas fiscais, bilhetes antigos, cartões de pessoas que um dia penso em procurar se unem em um volume um pouco acima do que seria considerado ''cabível'', fazendo com que as folhas de papel acenem um pouco na tentativa de sair. Inútil. Nem vou perder tempo aqui contando os apetrechos que fazem companhia à carteira. Mesmo porque, a lista é grande. Vou começar a utilizar o tempo, aliás, para ver do que posso me desprender.
Pessoas que nunca procurei e nem tenho intenção; bilhetes que lembram coisas que quero esquecer; maquiagens que querem esconder o que o tempo quer mostrar e outros badulaques dispensáveis. Mudo (quase) tudo para a ecobag, numa tentativa ecologicamente correta de me preservar. Será que consigo?


