LIGEIRAS
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
Luiza Xavier<br> Equipe da Folha 
Minha mãe, uma das pessoas mais bem-humoradas que conheço, me disse outro dia, com seus olhinhos otimistas brilhando, que havia descoberto a fórmula perfeita para que tudo realmente funcione como deve. ''É só dizer o contrário'', revelou ela, com aquele ar de ''como você não percebeu isso antes?'' diante da minha expressão de surpresa.
Pedi detalhes sobre a ''teoria'', claro. E ela explicou. Do alto de seus 71 anos, minha mãe, que já viu muita coisa e observou o comportamento de muita gente por aí, garante que as pessoas têm uma certa necessidade de ser ''do contra''. Ela não falou desse modo, mas compreendi assim: o ato de contrariar uma regra, um aviso, uma advertência ou lei guardaria uma boa dose de prazer, uma satisfação impossível de controlar. Ainda que tal ação resulte em consequências graves.
Portanto, o conteúdo das campanhas que apregoam o perigo do uso de drogas, do hábito de fumar ou de dirigir após ingerir bebidas alcoólicas deveria, segundo a argumentação da minha mãe, sugerir simplesmente o inverso do que pretendem.
''Se dissessem 'olha, podem beber à vontade e sair dirigindo por aí ou fumem muito que não tem problema', as pessoas iriam parar de fazer essas coisas'', garante. Obviamente, todos na família, inclusive eu, apenas acham graça dessas considerações.
Outro dia, porém, caminhando pelo bairro onde moro, comprovei que a ''tese'' sobre o contrário pode estar correta. O dono de uma loja que fica afastada da calçada pintou um cavalete com os seguintes dizeres: ''Não olhe à direita!'' e, do lado oposto, ''Não olhe à esquerda''. Para completar, o desenho de um olho com aquele sinal que indica ''proibido''. Bem, todos que passavam davam uma espiadinha, contrariando o aviso. E, certamente, várias pessoas devem ter entrado na loja só por curiosidade.
Fica, então, a sugestão para a Prefeitura de Curitiba e a Urbs. Adotem a teoria para aquelas mensagens gravadas, divulgadas nos ônibus biarticulados. Quem sabe as pessoas estranhem e passem a ser mais educadas, a ceder o lugar e só entrar no coletivo após a saída dos passageiros que precisam desembarcar, entre outras atitudes esperadas de gente civilizada. Porque, pelo que observo diariamente, ficar ouvindo ''lições de cidadania'' parece não estar surtindo grande efeito.


