Quando a gente é criança qualquer pedaço de papel é diversão garantida. Na falta de lápis, giz, canetinha ou tinta guache por perto é só começar a dobrar que logo um brinquedo está pronto.
Depois de ouvir da atendente da lanchonete que meu pedido demoraria dez minutos, sentei e puxei um guardanapo daqueles que ficam no balcão. Na falta de lápis, giz, canetinha e tinta guache por perto, comecei a dobrar. Dobra pra cá, dobra pra lá... Como é que se faz o barquinho mesmo? Desdobra tudo, dobra aqui, dobra acolá, e o guardanapo já meio amassadinho de repente tomou a forma de um avião, meio que por conta própria, reconheço. Do barquinho, nem sinal.
Enquanto desdobrava o avião, uma outra brincadeira (essa sem nome) emergiu da memória. Precisei me concentrar na tentativa de reproduzir aquela dobradura que em outros tempos não demorava mais de um minuto para ficar pronta nas minhas mãos. Eu lembrava exatamente como ele deveria ficar, como era a brincadeira... Mas como é que eu fazia mesmo? O resultado tinha que ser um conjunto de losangos, nos quais a gente pintava umas bolinhas coloridas dentro e depois pedia para a amiga dizer um número. A gente mexia o papel pra lá e pra cá contando e, quando terminava, a vítima tinha que escolher uma cor. Atrás da cor tinha alguma coisa escrita. O quê? Boa pergunta. Mas que a brincadeira rendia, rendia.
Quando o brinquedinho ficou pronto e eu já suspirava de satisfação, chega a mocinha no balcão com o meu pedido. Acabou a brincadeira. O barquinho vai ter mesmo que ficar para a próxima, junto com o chapeuzinho de soldado do Dia da Independência.

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