LIGEIRAS
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008
Katia Michelle<br> Equipe da Folha 
Nunca gostei de peixes. Até gosto um pouco. Mas não dos pequenos nadadores fechados em um aquário. Prefiro esses animais no prato ou em um documentário do Discovery Channel. Exatamente por isso nunca pensei em ter um peixe em casa. Hamster tudo bem, cachorros, gatos ou até um coelho, mas peixe nem pensar. Até que apareceram com um pequeno aquário lá em casa e um peixe azul que minha filha carinhosamente apelidou de ''Pimpolho''. Desde então, a volta para casa virou um tormento. Já na garagem fico imaginando que, por algum motivo, o peixe morreu e eu não vou saber o que fazer com o corpo brilhante e gelatinoso.
Alguns meses já se passaram desde que comecei a conviver com esse tormento, mas nada dele passar. Tive que aprender a limpar a caixa de vidro e isso implica em tirar o peixe do aquário por uns instantes, lavar aquele cubículo transparente para depois voltar o bicho para aquela sua morada claustrofóbica. Na primeira ou segunda vez que fiz isso, o peixe caiu no chão liso da cozinha no meio do procedimento da troca de água. Pânico. Enquanto ele se debatia fiquei em estado de choque. Mas em um raro instante de lucidez, tentei pegá-lo pelo rabo. Ele se debatia ainda mais, mas consegui colocá-lo de volta na água. Livrei-me do aquário o mais rápido que pude e saí de casa. Não queria estar ali quando o peixe morresse e, na minha opinião, isso era um fato inevitável.
Quando voltei, olhei a caixinha de relance. E ele (ainda) estava lá, vagando pelas quatro paredes, feliz e faceiro. Acho que ouvi umas bolinhas de satisfação e uma legenda parecida com ''não foi dessa vez''. Alívio. Para ele, acho. Três dias depois notei que o peixinho estava muito quieto. Com a distância que já nos é peculiar notei que a tampa do aquário havia caído no fundo da caixa, deixando apenas um pequeno espaço para ele. E não é que o peixe sobreviveu a mais esse ataque do destino? A fragilidade dele era um engodo. Comecei a admirar - ainda que à distância- o pequeno serzinho brilhante. Não sei ao certo a espécie dele, mas dizem que se colocar outro peixinho como seu companheiro, ele o devora. Comigo, já está quase conseguindo. Virei presa fácil.


