Eu sou da paz. Daquele tipo de pessoa que treme só de pensar na possibilidade de ter uma arma nas mãos. Não gosto nem de ver em filme e nunca compraria uma de brinquedo para o meu filho ou qualquer outra criança.
Por isso, foi com tamanho espanto que, noite dessas, fui informada de que estava armada e era potencialmente perigosa. Pensei que fosse um engano, uma piada, uma brincadeirinha de mau gosto.
Mas era verdade. Fui impedida por seguranças de entrar em um local público porque carregava em minha pequena bolsa uma ''peça pontiaguda capaz de oferecer perigo às demais pessoas presentes no recinto''. segundo avaliação do chefe do grupo.
Era noite de sábado, por volta das 23 horas, uma semana antes do carnaval quando decidi levar uma amiga que acabara de chegar de São Paulo a uma ''balada'' diferente, bem popular e animada, onde o ritmo predominante é o da dança de salão.
Uma segunda amiga estava junto e, lá fomos nós, animadíssimas, dispostas a ''sacudir o esqueleto'' ao som do bom samba de raiz. Tudo ia muito bem até sermos revistadas na porta. Procedimento rotineiro de segurança. Normal. As amigas foram autorizadas a entrar.
Quando chegou minhas vez, a moça responsável por fazer a revista nas bolsas femininas levantou as sobrancelhas depois de olhar dentro da minha. Chamou um dos rapazes da segurança. Eu fiquei surpresa e confusa. É aquele tipo de situação em que não há outro pensamento senão o velho clichê ''mas, isso nunca me aconteceu antes''.
O rapaz e a moça se entreolharam e ela puxou de dentro da minha bolsa o tal ''artigo perigoso'': um palito de madeira, daqueles usados para prender o cabelo. Eu comecei a rir, nem lembrava que aquilo estava ali. Minhas amigas tentaram argumentar que aquilo era ridículo. Entretanto, minha ''arma'' foi mesmo apreendida.
O segurança ainda sugeriu que eu deixasse o RG para resgatar o palitinho na saída. Mas nem me dei ao trabalho. Preferi abrir mão da ''arma'' para que ninguém tenha dúvidas de que sou uma autêntica pacifista. É cada uma...

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