Injustiça. Uma amiga tirou férias e, claro, recusou-se a pagar estacionamento durante o mês em que não deixou o carro lá. Como é de praxe, no país da impunidade e do abuso de poder, o dono do estacionamento, no centro da cidade, insistiu no pagamento indevido.
Ela foi cobrada diversas vezes, sempre respondendo que não deveria pagar porque não havia usado o estacionamento (sequer pediu para que fosse guardada sua vaga nesse período).
Indignada com a atitude e insistência dos manobristas e do dono do negócio, minha amiga procurou o Procon e a Promotoria de Defesa do Consumidor do Ministério Público - o que, aliás, todo mundo deveria fazer.
No Procon e no MP, ela conseguiu orientação e respaldo legal para não pagar pelo mês em que não usou o serviço.
Mas quem ficou indignado, desta vez, foi o proprietário do estacionamento, que recebeu cartas do Procon e do MP. E não é que o empresário ficou tão irritado que resolveu cancelar o contrato da moça? Disse que se permitisse que ela continuasse como cliente abriria brecha para outros que eventualmente decidissem reclamar seus direitos e não pagar mensalidade nas férias.
''Como fica meu lucro (se todos os clientes agirem da mesma forma)?'', quis saber o dono, que a chamou para uma conversa numa salinha reservada. O empresário ainda usou um tom de voz mais alto, para intimidar. Mas pelo menos devolveu a ela parte do dinheiro do mês que havia sido pago antecipado, pelo mês corrente, da volta das férias.
Hoje ela paga um estacionamento que é cinco reais mais caro por mês, mas não vai pagar quando sair de férias.
Infelizmente, esse tipo de situação não é raro. Por comodismo, falta de informação ou qualquer outro motivo, poucos estão dispostos a ''pagar o preço'' para fazer valer um direito.
Dá trabalho, toma tempo e também dinheiro.
O resultado é que vivemos no País das Injustiças, mas pensando que é o País das Maravilhas.

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