LIGEIRAS
Não sei como isso começou, mas todos já perceberam. Tenho compulsão por um objeto pequeno, barato e extremamente útil: a caneta. Não são raras as vezes que procuro uma caneta no carro, por exemplo, e me deparo com dezenas delas nas laterais das portas.
Quando alguém fala algo importante, que posso esquecer, saco uma caneta da bolsa e começo a escrever. Ela nunca me falta. Como se fosse minha melhor amiga, está em todos os lugares. Pelos banheiros, na cozinha, na sala, no quarto. Onde eu procurar, basta pesquisar e a encontro.
Desde cedo aprendi a escrever. Novelas, aos oito anos. Poemas e músicas, na mesma faixa etária. Reportagens, já com meus 23 (e isso faz tanto tempo!)...
Um dos dias mais emblemáticos foi quando eu trabalhava na Rádio CBN, pelos idos de 1995. Procurava desesperada uma caneta e não achava na redação. Uma jornalista, que hoje me acompanha na Folha de Londrina, perguntou:
- Serve uma dessas dentro do seu bolso?
Não, não era piada. No bolso da calça jeans que eu usava, nada menos do que três canetas. E eu procurava mais uma!...
Essa semana, a redação resolveu checar minha bolsa. Cada item de dentro dela foi retirado. Final da contagem: 29 canetas.
Mas para que tantas canetas? - perguntou um dos repórteres...
Não bastava uma ou duas, caso a primeira falhasse? - questionou outro.
A resposta foi imediata. E se eu tiver que emprestar alguma para um jornalista esquecido (e é regra, não é exceção!) numa coletiva importante?
Foi uma desculpa. Mas pode ser real. Ao menos, nem eu, nem um colega, nem ninguém, terá como chegar na redação dizendo que não tem aspas porque não levou a caneta, porque o gravador não funcionou e pior: ainda ficou longe do entrevistado na coletiva e não conseguiu ouvir muito bem o que ele dizia...
... afinal, como dizem, azar pouco é bobagem!...





