LIGEIRAS
''Como posso ser um cidadão melhor?''. Apesar da seriedade e da maturidade da pergunta, ela foi feita por uma criança de sete anos. O garoto estava preocupado com essa tal cidadania que de vez em quando vemos em propagandas governamentais, da Justiça Eleitoral, Procon, mas que fica difícil de colocar em prática.
Para responder à questão, a mãe do menino começou a pensar no que poderia fazer, de maneira simples, na sua rotina: 1) usar menos o carro, desafogando o trânsito e poluindo menos; 2) ir a pé ao mercado e pedir para entregarem a compra, colaborando com a geração de empregos. E por aí seguiam as sugestões. Mudanças simples, que exigem mais boa vontade do que idéias mirabolantes.
Ouvi essa história há muito tempo, de uma professora, mas até hoje não me saiu da cabeça: o que fazer para ser um cidadão melhor?
Uma amiga jura que ser um bom cidadão é votar consciente. Aí a discussão complica, porque cada um tem sua consciência -até os políticos, que por sinal também votam.
Outra colega acha que o caminho mais curto para a cidadania é processar todo mundo ''que viola a lei'', especialmente se pisar no seu calo (ela é advogada).
Um vizinho acredita piamente que o Procon é a solução para todos os problemas da sociedade. O telefone ficou mudo: vai pro Procon. O marceneiro não entregou a mesa na data prometida? Vai pro Procon também.
Pode ser. Toda opinião é válida, sejamos democráticos. Fica difícil discutir cidadania -condição de cidadão, segundo o dicionário- num País onde a maioria dos ''cidadãos'' não sabe o que é isso. Não se acha merecedora de direitos (nem de deveres), não entende o conceito de patrimônio público.
No final das contas, fico com a opinião da professora que buscava uma resposta para dar ao filho: não deixar de fazer o pouco que podemos para garantir uma vida mais decente e justa para todos e não apenas para nós.





