Não tem quem não fique irritado ao ouvir brados de que a imprensa do Paraná é vil, é canalha, procura recursos governamentais para sobreviver ou funciona sempre na tentativa de chantagear para tirar vantagens.
Somos contra - via de regra - aos que generalizam, aos que buscam reconhecimento próprio ou pessoal. Somos contra aos que se satisfazem com os gritos sem a apresentação de provas.
Mas isso tem que valer para os políticos, para os empresários e para a imprensa em geral.
Como jornalista, sempre tento amenizar a situação quando algum político irritado quer processar um profissional por injúria, calúnia ou difamação. Pior ainda é quando tentam tirar do jornalista aquilo que ele já não tem: dinheiro - através dos processos de reparação de danos morais sofridos com as notícias ''distorcidas''...
Lembro-me de ter orientado um advogado do Paraná a retirar uma ação contra um colunista de Curitiba exatamente por achar que o diálogo era capaz de resolver tudo...
...até ter sido atingida gratuitamente por agressões sem sentido. Vindas de onde? Por mais absurdo que pareça: de um jornalista que cobre os bastidores da política local.
No princípio pensei se poderia um jornalista virar notícia, sem ser notícia, sem ter motivos para se tornar notícia. Depois, intempestivamente, agi por instinto. Como um animal? Talvez.
Comecei ligando para um advogado criminalista e costurando uma ação judicial por difamação. Liguei para a redação do jornal onde o colunista trabalha, não estava. Tentei falar com ele por telefone, não consegui. Comecei a me defender publicamente. Mas não conseguia dormir. Até que liguei para o cidadão e falei tudo o que achava que deveria. Daquela forma que os grosseiros atingidos em reportagens fazem quando se sentem, de alguma forma, injustiçados...
...não gostei da experiência. Não gostei da indecência. Não sou amiga da demência.
Agora, quando me ligarem aos brados com frases como ''eu não sou bandido, não'', ''você toma todo mundo por bandido'', ''você vê nas reportagens o que ninguém mais vê'', vou respirar fundo. Vou contar até dez. E vou tentar ouvir...
...controlando o espírito colérico que carrego ao longo dos meus 36 anos. Seria possível?

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