LIGEIRAS
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 03 de janeiro de 2008
Denise Ribeiro<br> Equipe da Folha 
Verão, sol, praia e a inevitável observação de espanto dirigida a mim: ''Como você está branca!'' Não fosse pela minha infinita paciência eu responderia algum tipo de impropério. Mas como já estou acostumada e não invejo o padrão morena jambo que toma conta das peles nesta época do ano, me limito a explicar resignada: ''Eu sou branca''.
Não tem receita maluca de urucum com cenoura que resolva, falta melanina e não tem jeito. Em horas debaixo de sol intenso, no máximo eu consigo uma vermelhidão, alguma queimadura e em casos extremos umas bolhas, bronzeado jamais. O fato de morar em Curitiba ajuda um pouco a me sentir menos deslocada, já que aqui o que não falta é gente de pele alva. Mas ainda assim o comentário sempre surge acompanhado de expressões faciais que vão da compaixão ao inconformismo.
Da minha parte, muito satisfeita que estou com a minha cor, depois de já ter passado por maus bocados resultantes de momentos de descuido debaixo do rei sol, prefiro preservar o que ainda me resta de chance de não desenvolver futuramente um câncer de pele. Além do mais, vaidade por vaidade não podemos desconsiderar que a exposição excessiva à radiação solar envelhece. Nesse caso, daqui a vários anos quando alguém me vier com aquela cobrança por uma bronzeado de revista, pelo menos terei na manga um crédito de algumas ruguinhas a menos. Afinal, quem não tem cão caça com gato, não é mesmo?


