LIGEIRAS
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 27 de dezembro de 2007
Adriana De Cunto<br> Editora 
Alguém tem dúvida que 26 de dezembro deveria ser decretado o Dia Nacional e Internacional da Preguiça? Atire a primeira pedra quem não levantou ontem da cama totalmente derrubado, cansado, de ressaca, aniquilado de tanta comida, bebida, saturado pelos filmes (antigos e novos) de Papai Noel, pelas propagandas de gente que você nem conhece desejando boas festas.
O café da manhã quente e forte do dia 26 traz um pouco de lucidez, que vai virando preocupação quando você não se lembra se o banco abriu no dia 24. Perdeu a noção do tempo? Esqueceu de pagar a conta? Será que caiu aquele cheque? Pior é procurar na bolsa a nota fiscal da blusa comprada para presentear a sobrinha, mas que ficou pequena e agora precisa ser trocada por um número maior. A peça é superbonita, mas a garota vai ver o preço, perceber que foi comprada na banca de liquidação...
A nota fiscal finalmente aparece, lá no fundo da bolsa, amassada, junto com os muitos tíquetes do cartão de crédito que precisam ser organizados, contabilizados e que vão vencer na primeira quinzena de janeiro.
As lembranças do dia anterior ficam ainda mais fortes quando na hora do almoço você reconhece a carne de peru, agora desfiada e servida em novas versões, com molho ou risoto. O tender também voltou para a mesa. É melhor acabar com isso logo, pois há chances de uma reprise no jantar.
Natal é maravilhoso. É tanta gente reunida em casa e em várias situações engraçadas, constrangedoras, nervosas. Temos a impressão que a qualquer momento vai começar a tocar a música do seriado ''A Grande Família'' em uma caixa de som invisível: ''Quais, quais, quais, quais, quais, quais...''


