Todos sabemos que ele vai chegar. É uma situação inexorável: há o começo, o meio e o fim. Contudo, saber não nos é suficiente. Ele se aproxima e nos envolve por completo, muitas vezes, sem nos dar espaço suficiente para respirar como gostaríamos, para agir como planejamos, para fazer tudo do jeito que sempre sonhamos. Ainda que conscientes de sua existência e das consequências que ele nos traz, sofremos.
É como se ainda fôssemos pegos de surpresa por ele. É num piscar de olhos. Outro dia mesmo era o início e, agora, cá estamos outra vez completamente imersos em pensamentos, dúvidas e angústias diante dele: o último mês do ano. Sempre me perturbou o fato de todos levarem tão a sério (inclusive eu) as sensações e sentimentos que essa época produz. Surgem os fatídicos ''balanços'' - será que fiz tudo como deveria?, será que valeu a pena?, onde acertei? onde errei? que promessas deixei de cumprir? - e as terríveis listas de desejos para o ano seguinte.
Desta vez, decidi usufruir deste período, especialmente do Natal, como um ''tempo de despertar''. Vou comprar menos, me estressar menos, passear mais, admirar mais a decoração das ruas, me deixar emocionar pelas imagens dos presépios, pela excitação do meu filho diante do Papai Noel do shopping e pelos pequenos gestos sinceros de solidariedade. Sim, porque eles ainda existem. E, sem dúvida, são essas ações - doações de brinquedos, alimentos e roupas, entre outras atitudes bacanas - que ainda me fazem acreditar naquela história contada pela primeira vez há 2007 anos.

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