LIGEIRAS
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 20 de dezembro de 2007
André Amorim<br> Equipe da Folha 
Natal é tempo de lembrar. Não conheço ninguém que não passe meio avoado por essa época do ano, quando nos recordamos das ceias em família, daquele presente inesquecível ou de pessoas que não estão mais conosco.
Muitas vezes, em meio a esse festival de lembranças, aparecem alguns fatos que hoje consideramos cômicos, mas que na época foram bem traumatizantes. Quem é que se lembra, por exemplo, da ocasião em que deixou de acreditar no Papai Noel? Eu, particularmente, não tenho algum episódio bem delineado desse fato, acho que sempre desconfiei da sua onipresença, (o velhinho estava no shopping, na loja, na TV, na casa do vizinho, na praça Osório, como podia?), mas nem todos tiveram a mesma sorte.
Minha esposa, por exemplo, recorda com tristeza do Natal em que descobriu o ''segredo'' do Papai Noel. Ela conta que ficou chocada quando, ainda uma garotinha, flagrou uma pessoa estranha botando a conhecida roupa vermelha. E, pior, era uma mulher. Seu desgosto foi tão grande que correu revelar o fato às outras crianças, para desgraça dos pais. ''É sua mãe que compra o presente pra você, e o Papai Noel é uma mulher fantasiada!'', teria dito ela diante dos olhinhos incrédulos dos primos mais novos.
Outro amigo relatou-me com pesar a noite em que descobriu que era seu tio quem estava debaixo da fantasia. O pior, segundo ele, foi a pouca consideração que seus familiares deram à sua capacidade de observação, usando um parente tão próximo para um papel tão importante.
Têm também aqueles casos de gente que flagrou o Papai Noel fumando, indo ao banheiro, ou até, como me contaram uma vez, brigando na rua. Segundo esse relato, ele teria sido provocado por um gabola que teria pedido de presente a vovó Noel. Levou uma bengalada na cuca.


