LIGEIRAS
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 19 de dezembro de 2007
Denise Ribeiro<br> Equipe da Folha 
Não sou do tipo que sai por aí distribuindo esmolas mas naquele dia eu caí. Foi há alguns meses, eu voltava para casa depois do trabalho quando uma mulher grávida me abordou pedindo ajuda. Ouvi as lamentações e dei algum dinheiro pra ela, não lembro quanto. Alguns dias depois a mesma mulher tentou me parar de novo com o mesmo apelo cortês: ''Moça, por gentileza...''. Dessa vez segui meu caminho apressada.
Desde então comecei a reparar que ela está sempre nos mesmos locais abordando as pessoas da mesma forma e ao que tudo indica é disso que ela ganha a vida. O bebê já nasceu e ela segue com a mesma estratégia: ''Moça, por gentileza...''. Na semana passada ela estava acompanhada de um homem na porta de uma agência bancária algumas quadras adiante de onde eu costumo observá-la atuando. Mais uma vez ela tentou me sensibilizar: ''Moça, por gentileza...''. Não olhei. Ela insistiu. Passei reto e entrei.
Lá dentro ouço uma das clientes comentando com o vigia da agência que acabava de ser abordada pelo casal com o carrinho de bebê mas não deu atenção com medo de tratar-se de algum tipo de golpe. Ao que o vigia disparou: ''Faz oito anos que eu trabalho aqui eles sempre estão aí''. E eu pensando: ''Fui uma das que caiu no golpe''. Confesso que achei bom que o vigia tivesse alertado a outra potencial vítima. Será uma a menos a cair na conversa da dupla trapaceira, futuramente do trio, quem sabe!
Mas o alerta não foi captado somente do lado de dentro. Quando saí, o casal se afastava dali e o homem aos gritos xingava o vigia ''alcaguete''. Por sorte eu ia para o outro lado e não precisei esconder minha satisfação. Bem feito!


