LIGEIRAS
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 12 de dezembro de 2007
Maria Duarte<br> Equipe da Folha 
Curitibano adora fila. Pode até reclamar, dizer que é um absurdo. Mas fica na fila, não importa o comprimento. Fora as tradicionais filas de banco, cinema, padaria e no ponto de ônibus, existem as imensas filas para comprar sorvete no quiosque do Mac Donalds e até para ver vitrine de loja.
É uma coisa impressionante, pelo menos aos olhos dos 'forasteiros', como no meu caso, além de ser um prato cheio para a psicologia social.
Depois de 14 anos morando na cidade - e muito tempo em filas - chego à conclusão que fazer fila por qualquer motivo faz parte dos costumes dos curitibanos. É como comer pinhão ou falar ''leite quente''.
Claro que as pessoas fazem fila em qualquer outro lugar, mas em Curitiba essa prática parece ser uma espécie de pacto silencioso. Pelo menos foi o que eu pensei dia desses, quando me dirigia aos caixas de supermercado com a cestinha e vi que num deles a fila tinha umas seis pessoas, com vários carrinhos cheios. Os dois caixas ao lado tinham apenas dois clientes passando as compras. Comportamento interessante, para dizer o mínimo.
Seja como for, a maioria das pessoas que questionei sobre esse estranho costume argumenta que as filas são inevitáveis, é muita gente circulando, não tem como evitar.
Tem, pelo menos em boa parte dos casos. Prova disso aconteceu semana passada. Fiquei estarrecida. Uma moça - que, claro, não era daqui - passava em frente a uma agência bancária. Era sexta-feira, hora do almoço. A fila para usar os caixas eletrônicos já era uma 'serpente' de três voltas. Ela olhou para dentro da agência, pelo vidro. Fez cara de desgosto e deu meia-volta.
Explicou para a amiga que a acompanhava: ''Preciso de dinheiro, mas não espero nisso aí de jeito nenhum!''. ''Por quê? Banco é sempre cheio mesmo, você vai voltar depois e vai estar cheio'', retrucou a conformada colega. ''Se eu contasse quantas horas já perdi em fila desde que me mudei para esta cidade, dava tempo de voltar a pé para Minas Gerais.''
Não aguentei, morri de rir. E também desisti de ficar naquela fila, para entrar logo depois na do restaurante. A gente acostuma...


