Faltam 20 dias para o Natal, dizia a simpática plaquinha com um Papai Noel sorridente que olhava pra mim enquanto eu esperava meu café. Por que será que vivemos num constante clima de contagem regressiva? O mais evidente deles é até o Natal, depois até o Ano Novo, daí vem o Carnaval e logo chega a Páscoa.
É só prestar um pouco de atenção nas coberturas jornalísticas e nas campanhas publicitárias. Passamos o ano todo condicionados ao que nos espera na próxima data comemorativa ou cívica. É, ano que vem temos eleições. Mas antes vem a Olimpíada. Você tem alguma dúvida de que passado o Carnaval vai começar a ver e ouvir por aí ''faltam tantos dias para os Jogos Olímpicos''? Mas que atire a primeira pedra quem nunca contou os dias para a chegada das próximas férias.
No mês passado uma amiga minha abriu a contagem regressiva das meninas da turma para os 30 anos (digo das meninas porque entre os meninos isso parece não ter muita importância). Agora que uma a uma vamos bater os 28 a contagem ficou quase inevitável. Mas prontamente resolvemos o problema: a partir de agora todas nós só comemoramos 27 anos, para sempre. Afinal, contagem regressiva serve para quê? Contando ou não, a hora chega mesmo. Sendo assim, em vez de perder tempo antecipando como será esse dia me parece muito mais interessante aproveitar cada minuto até que ele chegue.
Lembro que a contagem regressiva mais aterrorizante pela qual eu passei foi a do vestibular. Agora, depois de cinco anos formada na faculdade, cursando a segunda pós-graduação, aquele terrorismo todo de que fui vítima durante o ensino médio parece bem menos grave. É por isso que não me preocupo mais tanto com a chegada iminente de qualquer coisa. E se o leitor me permite apelar para a sabedoria popular, prefiro acreditar que ''o que a gente leva da vida é a vida que a gente leva''.

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