Tenho amigos mais velhos, que foram jovens nos anos 70 (do século passado). Quando se reúnem, gostam de contar as peripécias dos bons tempos. A época era de repressão política, mas o surgimento da pílula anticoncepcional, do biquíni, dos festivais de música entram como ingredientes nas histórias de ''amizades coloridas'' e apimentam o clima do ''liberou geral''.
Como fui jovem nos anos 80, época em que o surgimento da Aids influenciava os costumes e os namoros, não comungo das mesmas experiências dos meus colegas. Ouço, desconfio, no máximo acho engraçado.
Dia desses, um deles, para me provocar, perguntou o que a minha geração fazia de proibido, arriscado, perigoso à saúde. Com o mesmo ar nostálgico que eles lembram das rodas de música em volta da fogueira, eu me lembro que tomávamos sol, muito sol. Banhos intermináveis de sol no clube, na praia, no quintal de casa, na piscina do Centro de Educação Física da Universidade Estadual de Londrina, onde eu estudava. Lembro de duas amigas que se arriscavam - de verdade - para pegar uma cor. Carregando uma mochila com toalha, óculos escuros, bronzeador, elas escalavam a escada que levava ao alto da caixa d'água do prédio onde moravam. Detalhe: o edifício tinha 14 andares.
Buraco na camada de ozônio e câncer de pele? Nunca tinha ouvido falar. Para aumentar a eficácia dos banhos de sol, contrabandeávamos bronzeadores perigosíssimos do Paraguai e - tirem os dermatologistas da sala - aproveitávamos a hora do almoço para nos entregarmos aos raios de sol.
Os anos 80 terminaram, a maturidade foi chegando e com ela a responsabilidade e as pesquisas médicas comprovando os malefícios do sol. Hoje, me pego indo ao dermatologista três vezes por ano, não saio de casa sem protetor solar fator 30 e praia, só uma semana por ano. Assim como meus amigos olham com saudades as fotos de quando eram hippies no Festival de Música de Águas Claras, eu me pego vendo as fotos da Ilha do Mel. Nossa, como eu era morena!

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