LIGEIRAS
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 28 de novembro de 2007
André Amorim<br> Equipe da Folha 
Não sei se estou empregando o termo corretamente, mas acho que já fui um pequeno pirata em minha pré-adolescência. Não se trata de nenhum figurino de carnaval, é que naquela época - final dos anos 80 e começo dos 90 - todo mundo que eu conhecia fazia cópias não autorizadas de discos (LPs!) utilizando aquelas famosas fitas K7 - que acho que nem existem mais - e nem por isso éramos considerados criminosos pela indústria fonográfica.
À luz dos fatos de hoje, quando abro o jornal e vejo que um jovem foi preso nos EUA por estar copiando músicas sem autorização dos autores, eu me pergunto: será que naquele tempo já existia essa discussão acirrada sobre a propriedade intelectual? E não venham me dizer que a prática da gravação caseira não era difundida naquele tempo, lembro-me da quantidade de gente que gravava álbuns inteiros do vizinho, como hoje fazemos com os CDs nos computadores. Ao invés da internet, ''baixávamos'' do rádio. Havia até alguns truques para fazer uma cópia bacana, esperávamos passar a vinheta da emissora para começar a gravação sem interferências. Às vezes ligávamos para as rádios pedindo as canções que nos embalavam. Certa vez gravei um show ao vivo dos Engenheiros do Hawaii que acontecia em Curitiba e nem por isso me senti culpado, ou intimidado, por alguma represália dos donos dos direitos autorais.
Não sei se essas gravações eram toleradas, ou se eu é que era muito alienado para me inteirar dessas discussões. Queria apenas levar minhas fitinhas para as festas americanas e dançar com as meninas sucessos como Patience, do Guns and Roses, Listen to Your Heart, do Roxette, e outros hits da época. Todo mundo se divertia, dançava-se com a vassoura e não havia perigo de uma batida policial levar preso o disk-jockey. Tempos perigosos esses de hoje.


