LIGEIRAS
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 27 de novembro de 2007
Denise Ribeiro<br>Equipe da Folha 
Não acho que as pessoas devam forçar simpatia em momento algum, mas um pouquinho de gentileza não faz mal a ninguém. E não vale ser gentil só quando convém, como faz o motorista que fechou meu carro um dia desses exibindo no vidro traseiro o adesivo que pedia justamente ''gentileza'' aos companheiros de pista. Quem é que nunca deixou uma loja jurando jamais pisar ali dentro novamente depois de ter recebido um tratamento pouco cortês? E como é bom voltar a uma casa onde você é bem recebido.
Por outro lado, existem aqueles que no esforço por enfatizarem a cortesia tornam-se até cômicos. Adorei uma que ouvi outro dia, numa daquelas frações de conversas que nos surpreendem pela rua. Dois homens se despediam numa esquina. Ao que um deles se afastou anunciando ''tchau, um abraço'', o cortês interlocutor respondeu ''dois pra você''!
E há, ainda, aquelas pessoas que te tratam com a intimidade do mais antigo dos amigos já na primeira conversa, pontuando com uma infinidade de ''queridas'', ''amadas'' ou equivalentes. Tem coisa mais irritante? É claro que eu acredito na empatia imediata. Realmente tem pessoas com as quais nos encantamos já num primeiro momento. E geralmente essa identificação é recíproca. Como definir então a medida certa?
Pode parecer maldade da minha parte, mas desconfio que, assim como existem pessoas capazes de atrair multidões pela simpatia e simplicidade, tem gente que nasce chata mesmo e não tem jeito. Mas todo mundo, eu, você e o mais simpático dos mortais já fomos muito chatos para alguém. É como já havia alertado Sartre: o inferno são os outros.


