LIGEIRAS
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 23 de novembro de 2007
Luiza Xavier<br>Equipe da Folha 
Desde cedo nos ensinam que o bom comportamento é recompensado. Ainda muito pequenos somos levados a acreditar que só nos resta mesmo ser bonzinhos, caso contrário, Papai Noel não trará o presente que você pediu, Você não vai passar de ano, Seu pai não vai te dar o carro no seu aniversário e por aí vai.
Claro, indicar o caminho do bem e esforçar-se para que os jovens permaneçam nele é responsabilidade (ou deveria ser) de adultos que, conscientes de sua condição de cidadãos, querem contribuir para que a sociedade se desenvolva de modo equilibrado. Todos queremos um mundo melhor.
Mas, a complexidade do ser humano, entre tantos outros fatores, torna a nossa realidade bem diferente daquela que gostaríamos. Portanto, ser bom, o que inicialmente parece ser o caminho natural, torna-se, por vezes, um grande obstáculo para que algumas pessoas levem suas vidas satisfatoriamente.
Tudo porque há quem interprete o seja bom responsável, honesto, ético etc como seja bonzinho evite dizer não, não contrarie, não magoe, perdoe ainda que te ofendam etc e esse mal-entendido, quase sempre, acaba em sofrimento. E as mulheres parecem ser mais atingidas por essa espécie de síndrome.
Bonzinhos e boazinhas têm a esperança de que, se continuarem simplesmente fazendo tudo o que os outros querem, serão aceitos, compreendidos, bem-sucedidos e, acima de tudo isso, amados. E então, as frustrações vão sendo engolidas, as tristezas vão sendo somadas, as respostas vão deixando de ser ditas a quem merece. Tudo bem, dizem, no final, seremos premiados.
Admito que me identifico com vários comportamentos bon-zinhos. Entretanto, novamente, meu filho de seis anos me fez enxergar essa questão com um novo olhar. Durante uma conversa sobre a escola, ele comentou que uma colega por quem ele não tem muita simpatia, ficava o tempo todo ao lado dele, insistindo para fazer os trabalhos em dupla.
Sem pensar muito, argumentei: Ah, meu filho, por que você está reclamando? Ela é tão boazinha.... Ao que ele, direto como sempre, respondeu: Mãe, eu não posso gostar dela só por ela ser boazinha pra mim. Tive de concordar com ele e espero ter aprendido a lição de uma vez por todas.


