LIGEIRAS
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 13 de novembro de 2007
Luiza Xavier<br> Equipe da Folha 
Uma amiga costuma dizer que tudo o que acontece de errado nos relacionamentos interpessoais - seja no trabalho, na vizinhança, na escola ou em família - é fruto da falta de educação. Ela argumenta que, alguém suficientemente educado, não tentaria, por exemplo, ''puxar o tapete'' de um colega do escritório, dirigir perigosamente, ofender seu semelhante gratuitamente, estacionar em locais proibidos, ''furar'' filas , entre outras atitudes que tornam o cotidiano um verdadeiro inferno.
Da última vez que fui visitá-la em São Paulo, o assunto veio à tona novamente e acabamos concluindo que até a corrupção na política nada mais é do que resultado da ausência de educação. Nada a ver com formação intelectual, com títulos de mestrado ou doutorado. Afinal, um PhD que aponta o dedo para um ''subalterno'' e apela para o ''sabe com quem está falando'' pode ser visto apenas como um mal educado.
Quando minha amiga apresentou essa ''tese'' pela primeira vez, considerei exagero, admito. Mas, depois de uma cena lamentável que presenciei dentro de um biarticulado, há alguns dias, compreendi que ter educação básica é, acima de tudo, saber respeitar o semelhante.
Uma noção que aquele rapaz desconhecia totalmente. Depois de sentar-se ao lado de uma jovem com um bebê no ônibus lotado, ele foi abordado por uma senhora, aparentando 70 anos, que pediu o lugar. Ele levantou-se de má vontade e começou a gritar uma série de absurdos, dizendo, da pior forma possível, que não deveria ser obrigado a ceder o espaço. Os passageiros, constrangidos, não reagiram. Tampouco a idosa.
Assim que outro banco ficou vago, ela trocou de lugar. E, com tristeza, observei que aquela moça, que em momento algum tentou interferir no discurso agressivo do rapaz, era a mulher dele, que carregava no colo o filho de ambos. Fiquei imaginando o ''tipo'' de educação que aquela criança receberá...


