Acordei cedo como de costume. Música do Chico na cabeça - ''Todo dia ela faz tudo sempre igual. Me sacode às seis horas da manhã''. Banho, alguns minutos em frente ao espelho. A sempre procura pela chave do carro. A promessa de instalar amanhã um ''pendurador'' de chaves ao lado da porta. Garagem. Manobra difícil no carro sem direção hidráulica. No caminho para o trabalho, o programa previsível da rádio, sempre alternando uma música nacional com uma estrangeira. Tento adivinhar a sequência, enquanto procuro o celular.
Dessa vez, nada de onda verde e logo na descida da Desembargador Motta me deparo com o sinal fechado. Batom. Distraída, escuto uma batida no vidro fechado. Um guri de no máximo uma década de vida tenta falar comigo. Debaixo da manga da camisa surrada, esconde um volume que não consigo identificar. Dou um voto de confiança para o menino, abro a janela do carro e lhe dou uns trocados. Ele vai embora, faceiro, guardando as moedas no bolso e tirando o pacote de biscoitos debaixo da blusa. O sinal abre.
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Acordei cedo como de costume. Música do Chico na cabeça - ''Todo dia ela faz tudo sempre igual. Me sacode às seis horas da manhã''. Banho, algumas horas em frente ao espelho. A sempre procura pela chave do carro. A promessa de instalar amanhã um ''pendurador'' de chaves ao lado da porta. Garagem. manobra difícil no carro sem direção hidráulica. No caminho para o trabalho, o programa previsível da rádio. Tento adivinhar a sequência das músicas.
Dessa vez, nada de onda verde e logo na descida da Saldanha Marinho me deparo com o sinal fechado. Distraída, escuto uma batida no vidro fechado. Um guri com seus 10 anos incompletos me aborda. Debaixo da manga da camisa surrada, esconde um volume que não consigo identificar. Fecho a janela elétrica, às pressas. Enquanto o vidro sobe, o garoto ainda consegue colocar a ponta do canivete para dentro. O sinal abre.

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