LIGEIRAS
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 07 de novembro de 2007
André Amorim<br> Equipe da Folha 
Nesse tempo de relações virtuais, dinheiro virtual, pessoas virtuais e atividades virtuais, a vida real acaba parecendo um pouco chata. Em certas rodas de amigos, não pega bem, por exemplo, contar que você comprou um CD com canções do Roberto Carlos, logo vão dizer que melhor mesmo seria baixar de algum site sem pagar nada, utilizando para isso uma infinidade de softwares que tocam, convertem e transformam a música para depois você poder ouvi-la tranquilamente no seu MP3 player.
Levar à festa uma máquina fotográfica daquelas com filme então, nem pensar, uma verdadeira relíquia arqueológica de menos de 10 anos atrás. Certamente tornaria uma pessoa deveras impopular. O bom mesmo é ser digital, legal é a virtualidade.
E o que eu faço então com todos os meus discos de vinil, minhas fitas K7 e até meus CDs, que não entram no MP3? Isso sem falar no conhecimento que somos obrigados a acumular para poder sobreviver na selva de silício, termos como ''upload'', ''browser'', ''cluster'', ''mega-pixel'' e outros tantos que até pouco tempo atrás pertenciam apenas ao vocabulário de engenheiros e programadores.
Eu confesso que não consigo entender como aqueles quadradinhos pretos e pecinhas diversas da placa de circuito (você já abriu um computador pra ver?) se transformam no Windows. Para mim é uma questão de fé, acredito que a máquina funciona e ela realmente funciona, não preciso saber como isso acontece.
Sinto-me às vezes como um morador da Idade Média frente a um imã. Desconhecendo a lógica que opera naquele objeto tenho uma relação mística com ele. Trato-o como algo mágico. Assim é com os programas de computador, como o Windows. Mágica pura, aperta-se um botãozinho e Plim, ele aparece. Outro botãozinho e Plim, desaparece. Nenhuma relação de causa e efeito aí, apenas um hiato entre a peça (física) e a imagem (virtual). E já está bom demais.


