LIGEIRAS
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 06 de novembro de 2007
Adriana De Cunto<br> Editora 
É impressão minha ou este ano as pessoas entraram no clima de Natal muito cedo? Fim de ano é uma loucura e eu não estava preparada para sentir com dois meses de antecedência aquela famosa sensação de ''não fiz tudo o que planejei''.
Enfrentei essa dura realidade no último sábado, quando fui ao shopping com minhas filhas e quem estava lá, sentado sorrateiramente em um trono vermelho e dourado? Ele mesmo, Papai Noel.
Debaixo da barba branca e do olhar meigo, com certeza ele zombava de nós, mães estarrecidas com a constatação de que o Natal está aí e nada pode mudar isso.
Tentei desviar a atenção das meninas, mas em vão. A árvore gigante e a fila de crianças ávidas pelo colo do Bom Velhinho chamaram a atenção da caçula, de três anos. ''Mãe, já é Natal?'', perguntou-me com um brilho de alegria nos olhos. ''Quase'', respondi atônita. ''Quero falar com o Papai Noel'', afirmou, sentenciando-me a uma espera de 15 minutos - período em que eu pensei nos quilos que não perdi em 2007, no dinheiro que não guardei, nas férias que não planejei.
Chegou a nossa vez e o Bom Velhinho lançou a clássica pergunta ''O que você quer ganhar de presente, nenê?'' Os olhos da menina brilharam mais ainda. Além das balinhas - mimo imediato -, Papai Noel ainda vai prometer um presente e para ganhar é só ficar boazinha e largar a chupeta. A criança respondeu em alto e bom som para todos da fila testemunharem: ''Quero a cozinha da Hello Kity!''.
Ótimo. Nada de boneca que fala uma infinidade de palavras ou daqueles computadores-brinquedos caríssimos. Suspirei aliviada por um momento, mas quando olhei o rosto sonhador da filha mais velha, prendi a respiração novamente. No ano retrasado ela quis um MP3. No ano passado, um MP4. Se tudo indica, neste presente eu não vou conseguir economizar.


