LIGEIRAS
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 26 de outubro de 2007
Luiza Xavier<BR>Equipe da Folha 
Chego em casa depois do trabalho e me deparo com a confusão armada: meu filho correndo de um lado para o outro, controle remoto na mão, quase desnorteado porque não conseguia assistir ao programa preferido. Vou verificar e comprovo que havia um problema técnico. Não conseguia sintonizar nenhum dos canais. Ligo para a operadora da tv e sou informada de que o defeito foi provocado pelo rompimento de um cabo e atinge toda a região.
Meu filho ensaia fazer uma birra, começa a reclamar e eu me dou conta de que, assim como grande parte das crianças, ele tornou-se um dependente da tal caixa eletrônica de ilusões. Logo ele, que não bebe refrigerante, recusa hambúrgueres com veemência, gosta de livros, de natureza, e é responsável até demais para um garoto de apenas seis anos.
Antes de dar início àquela conhecida enxurrada de pensamentos culposos onde foi que eu errei?, será que ainda tem jeito?, resolvi tomar uma atitude. Nada de sermões. Apenas liguei o aparelho de CD e, instantes depois, estávamos rindo com as performances dele como dançarino, que incluíam alguns pulos no sofá tudo bem, não era o momento de iniciar uma crise.
Fomos dormir e o sinal da tv ainda não havia sido restabelecido. Enquanto o via adormecer tranqüilamente, abraçado ao cachorro de pano que o acompanha desde sempre, fiquei pensando sobre a possibilidade de desligar a tv para sempre. Ou ao menos iniciar uma campanha doméstica pelo uso parcimonioso deste aparelho, ao mesmo tempo útil e controverso. Quero retomar atividades mais simples e mais interessantes, que muitas vezes são deixadas de lado por pura preguiça ou comodismo. Afinal, como disse outro dia uma entrevistada, que decidiu trilhar o caminho da vida saudável,a tv rouba a nossa energia.


