A guerra do homem contra a máquina começou. O pesadelo de vários autores de ficção científica que retrataram um futuro sombrio onde seremos exterminados por seres de silício e aço inoxidável já está a caminho. Pense bem leitor, será que você já não está dominado por algum aparelho? Será que sua rotina animal já não foi alterada definitivamente por algum invento, alguma bugiganga que passou a ser indispensável para a manutenção da vida social, profissional e até biológica?
Diariamente eu me engalfinhava em lutas cada vez mais terríveis com meu computador, que parecia dotado de um senso de humor mórbido, onde o prazer consistia em ver-me aos prantos frente a um arquivo perdido, para logo depois mostrar-me que na realidade o arquivo apenas havia mudado de local.
Nessa campanha pela minha insanidade, juntou-se a ele meu aparelho celular, que parece ter personalidade própria. Recebe as chamadas que lhe convém, ignora outras, deixa de funcionar quando preciso dele, toca quando não é necessário, enfim, um ser com motivações sombrias.
Nesses momentos recorremos à ferramenta ilusória da substituição, esperando que assim nossa relação com esses ''seres'' melhore. Grande engodo. Após minha última batalha com meu microcomputador - da qual um de nós não retornaria - fui forçado a adquirir outra máquina. Dessa vez sondei bem o computador que iria me acompanhar para não haver traições futuras. O escolhido me parecia um ótimo exemplar. Prestativo, competente, educado, sempre perguntando minhas preferências para tentar me agradar, mostrando-me aplicativos novos e as maravilhosas novidades do mundo eletrônico.
Por enquanto ainda estamos em ''lua-de-mel'', mas me mantenho atento para qualquer insubordinação da parte dele. Para garantir sua obediência, decidi seguir o conselho do grande escritor João Ubaldo Ribeiro (que de computador não manja nada) e deixar um martelo sempre por perto. Qualquer deslize e zás.

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