Sempre fui atraída por histórias. Quando criança, assim como a maioria dos meus amigos, gostava de contos de fada, e até daqueles enredos assustadores em que bruxas não poupam maldades à mocinha. Quanto mais complexo fosse o desenrolar dos fatos, mais eu gostava.
A reação dos personagens era o que mais me interessava. ''Como eles vão sair dessa?'', eu pensava. E me deliciava com as soluções mais esdrúxulas. Mas, uma pergunta permanece sem resposta até hoje: o que acontece depois do fim?
O que significa realmente o ''felizes para sempre'' que encerra contos famosos como Branca de Neve ou Cinderela? A gente cresce, passa a raciocinar como adulto, racionaliza tudo, mas, lá no fundo, ainda fica aquela dúvida. E depois?
Depois, é a rotina, a monotonia, os altos e baixos. Momentos bons, outros nem tanto, enfim, a vida. Eu sei, eu sei. E você também sabe. Entretanto, tenho refletido, ultimamente, sobre um outro aspecto do ''fim''. A ansiedade que ele provoca. Ao menos em mim.
Um projeto é iniciado e só a conclusão, ou seja, o fim, é o que importa. E lá vou eu me lançando para que ele esteja logo pronto. Um papo começa e eu já estou pensando no que acontecerá quando não houver mais assunto. A brincadeira com o filho mal começou e eu já me angustio com o que deveremos fazer em seguida. Não por acaso, noutro dia, ele comentou: ''Mãe, como você é impaciente. Ninguém merece!'', referindo-se ao fato de tê-lo interrompido, mais uma vez, quando ele tentava me contar alguma coisa.
É o fim! Ou o medo dele que causa tanta impaciência, que me leva a querer tudo ao mesmo tempo agora. Ao menos estou ''me expondo'', compartilhando essa incrível dificuldade que é, simplesmente, viver ''o processo'', usufruir do ''desenrolar'' da história principal, a minha. O mais curioso é que tenho noção do antídoto necessário para o caso: viver um dia de cada vez. Mas, e depois?

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