Acho que eu precisaria de pelo menos umas três vidas para conseguir fazer quase metade de tudo o que eu gostaria. Não só pela quantidade das coisas, que não são poucas, mas para poder fazer tudo com um pouco mais de calma. E quem sabe conseguir dormir um pouco mais também, o que seria muito bom.
Não consigo me ver simplesmente fazendo nada, como muita gente deseja para si. E às vezes me odeio por isso. O problema é que eu admiro quem consegue realizar várias coisas e isso acaba me motivando ainda mais. É incontrolável. Comigo acontece exatamente como se diz por aí: quanto menos tempo a gente tem, mais a gente faz. Mas como tudo tem limite acho que ando precisando de um tratamento de choque, do tipo: passar um mês na Bahia, deitada na rede, tomando água de coco. Não pode ser tão difícil quanto parece.
E já que chegou aquela época em que a gente começa a fazer planos e inventar resoluções para o próximo ano, a minha meta para o ano que vem será uma só: não ter pressa. Mas caso eu não consiga desacelerar, já tenho uma idéia do que fazer com isso. Posso fundar um daqueles grupos de anônimos, que têm aquelas saudações em coro (''Boa noite fulano!'') em reuniões que começam com aquelas declarações constrangedoras (''Há dois dias eu durmo oito horas ininterruptas por noite'') seguidas pelos calorosos aplausos dos companheiros comovidos com a conquista.
Enquanto isso, até o fim de dezembro vou dando conta do que eu já me comprometi a fazer. Tomara que até lá o tempo passe bem devagar e o Papai Noel venha a passinhos de tartaruga com preguiça.

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