Na semana passada, meu computador, que me acompanhou bravamente durante os dois últimos anos, finalizou seu último programa. Após o diagnóstico fatal do técnico de informática, me vi à volta com dois problemas. O primeiro é a nova máquina que terei que comprar em breve; o segundo, o destino que darei à carcaça do equipamento velho. Esse já é o segundo ''esqueleto'' de computador que se avoluma no escritório lá de casa, ao lado de uma televisão velha, alguns cabos que eu nunca desvendei a utilidade, aparelhos celulares antigos, carregadores, controles remotos quebrados, uma impressora emperrada e outras tralhas que insisto em não me desfazer.
Temo que a utilidade desses itens surja logo que eu me livre deles. Vai que alguém bate na minha porta desesperado: ''Preciso urgentemente de uma caixa de som estragada, você tem uma aí?''
As tralhas de escritório são apenas a ponta do iceberg, meu ''complexo de esquilo'' (compulsão por guardar coisas sem utilidade) tem várias frentes. Tenho uma gaveta repleta de papéis velhos, convites vencidos, avisos, panfletos, medalhinhas, pedras, buttons e outros objetos sem nenhuma serventia que foram se acumulando durante os anos. Isso sem falar no cemitério de porta-retratos em cima do armário, que reúne o que há de melhor da falta de imaginação para presentes de aniversário.
Tem também o cantinho reservado para lembrancinhas de casamento e de batizado. Acho feio jogar fora essas coisas, sei lá, é como se eu não quisesse mais me lembrar daquela ocasião, já tenho uns dez desses. Isso sem falar das roupas que me recuso a admitir que viraram trapos e continuam se avolumando no meu armário; dos cartões de visita e telefones desatualizados que enchem minha carteira; apostilas velhas do cursinho e de cursos de inglês, italiano, francês; das pilhas velhas que temo em jogar no meio ambiente e uma infinidade de badulaques, tranqueiras e sucatas que mantenho comigo apesar da inutilidade. Afinal, nunca se sabe quando podemos precisar de algum deles.

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