O Dia das Crianças passou e as minhas filhas nem perceberam. Graças a Deus. Elas não ganharam presentes, não saíram para escolher brinquedos nas lojas ou passear em um parque de diversões. Agora que estou escrevendo esse texto, acabo de lembrar de que nem desejei parabéns, felicidades ou justifiquei a falta de um pacote embrulhado com fitas coloridas.
Não sei se as meninas, que têm 11 e 3 anos, sentem falta de ganhar um presente específico do Dia das Crianças. Acredito que não. A caçula se contentou - e muito - com um cavalo de madeira e um saco de guloseimas que ganhou da escola. A menina não sabe que existe Dia das Crianças e eu pretendo deixar assim mesmo. Pelo menos por algum tempo.
Concordo em presentear no Natal, Páscoa, aniversários. São datas em que se justifica esse tipo de lembrança e, afinal, eu também adoro ganhar presentes. Quando a mais velha chega em casa com boas notas no boletim ou uma medalha esportiva, costumamos comemorar. Às vezes, uma bela saída para jantar no restaurante preferido dela é uma grande recompensa.
Já faz tanto tempo que riscamos do calendário familiar essa data tão comercial que não posso deixar de achar engraçado, hoje, quando leio entrevistas com especialistas sobre consumismo infantil. Tem um monte de dicas sobre como não dar presentes a crianças sem ferir os sentimentos dela. Muito nobre isso. Mas não adianta nada deixar de dar um presente em 12 de outubro e ficar com consciência pesada a tal ponto de sair no sábado seguinte e comprar um superpresente ''fora de época''. O consumo consciente tem que começar pelos próprios pais.

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