Depois de ter morado oito anos e meio longe de Curitiba, onde passei minha infância e adolescência, nada me diverte mais do que jogar conversa fora com os amigos daqui. Mesmo com a distância nunca deixamos de nos falar mas estar perto deles novamente e poder marcar um encontro de última hora que acaba resultando em algumas horas de bate-papo à vontade regado a café ou cerveja é para mim uma experiência revigorante.
Hoje, por exemplo, é dia de um encontro que já se tornou quase obrigatório. Há um ano e meio, toda primeira semana do mês, um grupo de amigas da época do colégio (os meninos da turma não podem participar nesse dia) se reúne na casa de uma de nós para comer e pôr a fofoca em dia. Todas são amigas há mais de 10 anos, algumas se conheceram quando eram crianças. Duas estão morando fora da cidade e agora só participam de vez em quando. Outra voltou a integrar o grupo este mês. Eu voltei há um ano e pouco. E as outras sete estão sempre lá.
Todas passaram no temido vestibular, umas antes, outras depois. Todas estão formadas, algumas pós-graduadas, e atuam nas respectivas profissões. Duas casaram, uma está noiva, outra desmanchou o noivado, nenhuma tem filhos. Ali em volta da mesa cada uma fala o que quer, ouve o que não quer, comemora, desabafa e nunca chega-se a um acordo. O importante é estar lá.
Esses dias uma senhora de 90 anos me disse, em entrevista, que até hoje se reúne com as mesmas amigas de 50 anos atrás. Se chegarmos aos 90 anos, o encontrinho das meninas (como nós o chamamos) poderá alcançar a 500 edição, credo! Fico imaginando qual será o assunto da vez quando esse dia chegar. Vale a dica de longevidade da minha entrevistada: ''Não pode falar de doença, remédio e receita de doce''.

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