Leio com sentimento de culpa a reportagem de Fábio Galão, publicada neste caderno, hoje, na página 3, abordando o baixo índice de interesse (segundo o Datafolha) que os grandes times de Curitiba despertam pelo Paraná. Nasci em Curitiba, cresci em Londrina, voltei a morar na capital paranaense há três anos e não adianta, meu coração é corintiano.
Na minha casa futebol é coisa séria. São gerações e gerações de torcedores corintianos, sentimento passado de avô, pai, irmão, tios. Até permitimos o ingresso de pessoas de outras tribos (minha mãe torce pelo São Paulo e meu marido é palmeirense), mas mantemos total vigília para que as crianças da família não se sintam atraídas por uma camiseta verde e branca ou tricolor.
O trabalho em favor do Corinthians começa antes do futuro torcedor nascer, com uma coleção de camisetas completas do Timão tamanho RN (recém-nascido). Logo que a criança aprende a bater palmas, já ensinamos também o refrão ''Timão! Timão!''. E assim a tradição é passada de geração em geração.
Influenciada por amigas da escola, minha filha mais velha até flertou com o Coritiba e chegou em casa com camiseta e almofada do Coxa. Mas umas férias em Londrina, na companhia do tio e do avô, fizeram ela retornar para Curitiba mais corintiana do que nunca.
A filha caçula, de três anos, ainda tem o coração torcedor parcialmente disponível. Tudo bem que a fase péssima em que o Corinthians se encontra não é propícia para conquistar novos fãs.
No momento ela está sendo assediada por uns parentes atleticanos e eu já ia me manifestar quando, de repente, essa pesquisa Datafolha, esse sentimento de culpa... Vou dar um tempo. E antes que me arrependa, aproveito para dizer:
á - Vizinhos, tios, amigos do Coxa, Atlético ou Paraná, vocês têm uma torcedora em potencial para conquistar...
Mas se até o final do ano ela não escolher um time paranaense, vou comprar uma nova camisa do Timão para a menina. Afinal, o importante é ter um time para torcer. Se for o mesmo time da mãe, melhor ainda.

mockup