''Eu 'num' acredito que Pedro 'Alvarez' Cabral tenha 'discobrido' o Brasil''. Com essa frase de impacto, leio, assustada, um adolescente expressar o seu descrédito na História e, ao mesmo tempo, ''assassinar'' a língua portuguesa. A sentença foi pinçada de um site de relacionamentos.
Quem costuma visitar essas páginas na internet sabe que, infelizmente, não faltam exemplos de maltrato à nossa língua. Até comunidades de discussão foram criadas para exaltar os que estufam o peito, orgulhosos, dizendo odiar o português. '''Naum' me interessa ler livros 'mto fatídicos' do 'secúlo retrazado''', afirma um dos integrantes.
É sempre bom ressaltar que as frases foram copiadas exatamente como estão dos sites e que os erros crassos de ortografia não são de minha responsabilidade!
Claro que não são apenas os que declaram ódio mortal ao português que cometem deslizes. Em muitas outras páginas da internet encontramos pérolas como ''ancioso'', ''voçê'', ''infelismente'', ''ecessões'', ''xega'', ''com tigo'', ''derrepente''.
O que está acontecendo? Não sou linguista, mas todos sabemos que é natural que uma língua passe por mudanças. O nosso tão utilizado ''você'' é uma derivação de vossa mercê. Mas tudo tem limite, e não quero nem imaginar que um dia no futuro essas anomalias ortográficas possam ser aceitáveis.
O que falta para os adolescentes que inundam de aberrações seus textos na internet? Falta ler? Não falo da leitura de blogs e de mensagens instantâneas na rede mundial. Falo dos bons livros do século atual, passado, retrasado e mais antigos ainda. Por que não?

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